segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fenômeno Bullying: Prática pedagógica e violência escolar

Ao estudar o fenômeno Bullying , devido à complexidade do problema e ao crescente índice de violência escolar,necessidade de compreender o contexto cultural da vida dos indivíduos envolvidos, pois, como apontam Beaudon e Taylor (2006), “os pensamentos dos indivíduos geralmente estão sujeitos a um filtro cultural daquilo que é aceitável num contexto específico”, o que significa dizer que o pensamento está sujeito a bloqueios culturais, os quais provêm da cultura em sentido mais amplo, a saber: patriarcado, capitalismo, individualismo, racismo e adultismo.

Buscando esclarecer os efeitos mais comuns desses bloqueios, as autoras formularam o quadro abaixo:

Bloqueio Cultural

Efeitos

Patriarcado

Meninas/mulheres

Meninos/homens

Concentrar-se nas necessidades dos outros.
Sacrifício.
Fazer a gentileza de ser delicada.
Ter boa aparência a qualquer custo.
Ser uma boa cuidadora.
Expressar emoções.

Ser durão/forte.
Ser independente.
Não demonstrar sentimento/emoção.
Sentir-se desconfortável com afeto e proximidade.
Concentrar-se na ideia de ser o melhor.
Desligar-se dos sentimentos de medo, dor, atenção aos outros, etc.
Ter interesse em esportes.
Agir como um protetor.

Individualismo

Concentrar-se nos direitos e nas necessidades pessoais.
Alcançar o sucesso pessoal.
Enfatizar a privacidade.
Lutar para ter o que deseja.
Entender os problemas e os sucessos como individuais.
Ter um vínculo mínimo com familiares, parentes e antepassados.

Adultismo

Acreditar que os adultos têm direito de gritar, mas as crianças não; as crianças raramente ganham o poder de tomar decisões; raramente dá-se a elas a chance de se expressarem ou pedem-se suas opiniões; os adolescentes rebelam-se e não sabem o que pensar ou o que querer, já que a ordem é sempre escutar.

Capitalismo

Concentrar-se no sucesso, definido pela propriedade material ou financeira.
Operar em um ambiente de comparação, de competição e de avaliação dos desempenhos.
Dicotomizar as pessoas.
Dicotomizar as pessoas como vencedoras ou perdedoras.
Criar hierarquias (padrões).
Permitir a exploração dos recursos, pouco considerando as implicações ao meio ambiente.
Enfatizar os ganhos futuros em detrimento dos do atual momento.
Dar mais valor ao fazer do que ao ser.

Racismo,
Homofobia,
Sexismo

Gerar uma falsa idéia de posse e de superioridade de um grupo em relação a outro.
Desenvolver uma intolerância em relação às diferenças.
Tornar invisíveis os valores e a riqueza da diversidade.
Gerar o ódio a si mesmo e a falta de autoconfiança nos grupos oprimidos.
Lutar pelo poder, o que pode incluir a violência.
Sofrer medo, isolamento, desconfiança.
Ter crenças limitadas, estereotipadas.

Fonte: Bullying e Desrespeito, p. 27.

Nessa perspectiva, atuar em prol da prevenção do bullying escolar implica ir além de campanhas pontuais, grupos de autoajuda ou terapias individuais, sem acarretar uma maior sobrecarga de atribuições aos professores. É necessário valorizar os trabalhadores da Educação, apoiar a formação continuada, estimular práticas pedagógicas compromissadas com a desestruturação dos bloqueios culturais, a consolidação dos Direitos Humanos e a transformação efetiva da sociedade e, no que tange à comunidade escolar, viabilizar o acesso a informações sobre a temática, estimular o diálogo, o respeito à criança e aos seus direitos.

http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1309

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